Publicado em 28.10.2007
SÃO PAULO – Com a cabeça toda coberta por um pano, a mulher sentou-se nas cadeiras da área de desembarque do Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo. A paraense, que acabara de chegar da Espanha, só dizia nervosa, em espanhol, a quem se aproximava: “Não me prenda, não me prenda!”. Foi assim que Laura (nome fictício), que passou três anos sendo explorada como prostituta na Espanha, foi encontrada pela advogada Dalila Figueiredo, da ONG Associação Brasileira de Defesa da Mulher, da Infância e da Juventude (Asbrad), que há quase um ano responde pelo atendimento de possíveis vítimas de tráfico internacional de seres humanos no aeroporto paulista.
Laura recebeu atendimento médico, roupas, foi alocada em um abrigo. Mas não quis falar com nenhuma autoridade. Voltou ao Pará, onde havia deixado dois filhos.
Implantado em dezembro com financiamento da ONG holandesa Cordaid e apoio do Ministério da Justiça, o Posto de Atendimento Humanizado a Migrantes atendeu até agosto deste ano 1.782 pessoas, entre elas 674 mulheres e 39 transexuais.
Entre 713 mulheres e transexuais atendidos, as análises preliminares apontam que apenas 8% reconheceram-se como vítimas do tráfico internacional de seres humanos, todas para fins de prostituição.
A advogada Veronica Teresi, que entre novembro de 2006 e fevereiro deste ano entrevistou mais de 50 mulheres que se prostituíam na Espanha para sua tese de mestrado, conta que boa parte dizia ter chegado aquele país por causa de uma rede de contatos com amigas ou familiares, e não pelo tráfico.
Agosto 27, 2008 at 5:45 pm
Gostaria de receber o endereço de uma das ongs que auxiliam essas mulheres vitímas de exploração sexual e de tráfico internacional.
Desde já agradeço.