Outubro 28, 2007
Profissionais do sexo rejeitam papel de vítima
Posted by Guaraná under Jornal do Commercio, exploração sexual, prostituição, tráfico de seres humanos, vítimasPublicado em 28.10.2007
SÃO PAULO – Nos últimos dois anos, a ONG carioca Davida, defensora dos direitos das profissionais do sexo e dona da grife Daspu, tem alertado que outras entidades e governos têm utilizado dados sem base científica sobre o tráfico de seres humanos para combater o suposto problema, e apontado erroneamente profissionais do sexo adultas como as principais vítimas.
Para a Davida, a vitimização das prostitutas dá justificativa a mais ações discriminatórias contra essas mulheres, como restrições ao seu direito constitucional de ir e vir. “O número de mulheres realmente traficadas é muito pequeno, há um auê muito grande. Há muitos casos de pessoas que vão à Europa com o próprio dinheiro. Existe autodeterminação seja para trabalhar em uma lanchonete ou em um prostíbulo”, diz Gabriela Leite, diretora-executiva da ONG e fundadora da Rede Brasileira de Prostitutas.
Cientistas sociais que trabalham com a ONG destacaram que estatísticas precárias sobre o tema têm gerado um “pânico moral”. “No caso do tráfico, as boas intenções políticas de alguns pesquisadores parecem alimentar um pânico moral e, em nome da defesa dos direitos humanos, acabam estimulando práticas que cerceiam os direitos de determinados indivíduos, principalmente prostitutas e estrangeiros”, afirmam os cientistas.